Quarta-feira, Outubro 20

.: Tachanat Hasbara Otomatit

* Estação Auto explicativa

Guzovsky

A normatização da vida privada, conceito apresentado por Frank Furedi em seu livro: “Therapy Culture”, traz uma visão crítica acerca da terapia no neocapitalismo e sua conseqüência sobre os seres humanos. Diz que a terapia é necessária em alguns casos, porém discute o quanto o discurso terapêutico se transformou em produto da industria cultural e, portanto, em produto de alienação.

A linguagem terapêutica esta cada vez mais presente no nosso cotidiano e acabou se tornando um sistema de significados como método de construção de identidades. Normatização é um processo político / legal de aplicação de regras. O que a psicologia faz é trazer esse aspecto (normativo) para a vida privada, causando uma baixa autonomia e transformando os sentimentos das pessoas em propriedade do sistema.

Esse sistema de significados (simplista e voltado para a felicidade) que é a terapia faz muito sucesso entre nós. O ser humano moderno tem uma tendência simplista de recusar uma visão complexa de mundo. A partir disso, Finkelkraut (nouveau philosophe) desenvolve uma teoria acerca da invasão do ‘modelo terapêutico’. O ser humano é infeliz e esta em constante busca por um alívio e quanto mais ele busca maneiras de aliviar essa infelicidade (através de livros, auto-ajuda, mística, massagem, homeopatia, terapeutas, etc...) mais inseguro ele fica. Finkelkraut discute também a literatura, que se tornou um instrumento terapêutico para encontrar uma visão simplista. A literatura já não promove visões complexas de mundo, ela simplesmente apresenta / descreve um problema e dá uma fórmula (para a felicidade). Só que não há fórmula nenhuma.

Amos Oz, escritor israelense, traz um aspecto interessante do neocapitalismo que é o fato de que o sistema esta sempre fazendo com que você se esqueça o que você realmente é (areia / matéria) para que esteja sempre consumindo com a falsa ilusão de que irá alcançar a felicidade dessa maneira. O deserto, seria o outro extremo, aonde não há espaço para distrações da real condição humana. Nesse neo capitalismo, a juventude virou produto, virou ideologia. Mas por que o jovem? O jovem tem maior produtividade, maior força, menos formação (portanto é mais submisso), mais fácil de ser manipulado e principalmente: aceita ser subserviente ao capital. A partir disso vêm a ideologia da solução – que busca o tempo inteiro soluções que são criadas pelo capital para serem vendidas aos desesperados – e como ser jovem é produto de solução, vemos um mercado intenso que cresce cada dia mias voltado para o rejuvenescimento. (círculo do desejo – preenchimento dos vazios)

Vivemos em um mundo individualista aonde o pensamento foi derrotado. Bilhões de seres humanos espalhados em nosso planeta em busca de uma só coisa: a felicidade. Felicidade essa que dá sentido a vida, mas que ao mesmo tempo tira do ser humano seu maior diferencial: o poder do pensamento; e o joga em uma inércia de preenchimento de vazios sem fim.

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