Sexta-feira, Outubro 22

.: Lolita e a sexualidade no cinema

“ De repente, tive a certeza de que poderia beijar sua garganta ou a comissura de seus lábios com total impunidade, de que ela deixaria que fizesse e até fecharia os olhos, como ensina Hollywood... Sou obrigado a pensar que uma criança moderna, ávida leitora de revistas de cinema, perita em close-ups filmados em câmera lentíssima, talvez não achasse muito estranho que um amigo adulto, bonitão e intensamente viril...”

Lolita, Vladimir Nabokov
(pág 50. – Edição Folha / 2003)



Abrindo caminhos para a revolução


A força do cinema como poderoso meio de comunicação de massas teve papel fundamental para o desencadeamento da revolução sexual no mundo pós-guerra. Antes mesmo da guerra, as mulheres já compunham um papel importante no cinema. As produtoras usavam o apelo sexual para chamar a atenção do público, sem nenhuma intenção político-cultural aparente (pura heurística). O poder sim, via essa sexualidade como ameaça ao patriarcalismo (além de ética, moral e valores vigentes) e por isso lutou com todas as suas armas legais para impedir o seu crescimento.
Em vão. As mulheres do cinema passaram a ter uma maior individualidade, passaram a ter voz própria no cinema, inspirando muitas mulheres que agora viam uma possibilidade de igualdade de direitos, antes oculta. Com a guerra e o afastamento dos homens de seus cargos para servirem no exército, a mulher se viu forçada a cumprir novos papéis nessa sociedade. Essa situação propícia permitiu às mulheres trazerem a tona seus desejos de individualidade que habitavam suas mentes à algum tempo e que posteriormente desencadearam na revolução sexual (nos anos 60).
O papel do cinema, sua influência no relaxamento moral, foi indiscutivelmente fundamental na abertura de caminhos dentro do imaginário popular para concretizar uma ação política anos mais tarde, como foi a revolução sexual.

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