Diz a lenda, que Santos Dummont, ao saber que sua invenção, o avião, estava sendo usado para o mal da humanidade, para a guerra, entrou em profunda depressão e suicidou-se. Certamente, Dummont sacudiu hoje em seu túmulo ao ver que sua obra foi usada de forma inesperada e maníaca, como bomba, chocando o mundo e derrubando, frente toda a mídia mundial, as torres gêmeas e o prédio 7 do World Trade Center, além de deixar em chamas parte do edifício de inteligência militar mais respeitado do mundo, o Pentágono.
Ontem, estava discutindo com meu pai a possibilidade de se passar o ano que vem em Israel, no programa Shnat, da sochnut (cepi). Logicamente, sua posição é reciosa e de alguma negação, devido ao conflito que não cessa e os perigos que rondam os cívis no país, sob ameaça de ataques terroristas constantes. Meu pai, então, deu-me a seguinte solução: Passar alguns meses viajando pelos Estados Unidos, usando a casa de meu tio na Flórida como central. Justo (mas não é o ideal, Israel ainda é meu objetivo). É completamente compreensivel a preocupação de um pai com seu filho, realmente não é o melhor momento para se estar indo a Israel. Afinal de contas, nos Estados Unidos, eu estaria totalmente seguro, longe de atentados, longe dessa marcha insensata de fanatismos.
Hoje, o contrário foi provado. O mundo esta sobre a ação dos terroristas, e nem mesmo a nação mais segura do mundo pode conter ataques de magnitude inimaginável. Nunca se pode imaginar que uma catástrofe dessas pudesse acontecer. Durante a segunda guerra mundial, o ataque de kamikases japoneses as bases militares norte americanas no pácifico em dezembro de 1941 deixaram mais de 2.000 soldados mortos. O episódio conhecido como Pearl Harbour era até então o maior ataque que ocorreu no país e levou os EUA a entrarem na Segunda Guerra Mundial.
Nesta terça feira, 11 de setembro de 2001 (aniversário do Setembro Negro na Jordânia, se não me engano) a catastrofe de Pearl Harbour foi superada, novamente por kamikases, dessa vez terroristas e ainda de procedência oculta. Especula-se entre 10.000 e 20.000 mortos, dentre eles, a grande maioria cívis inocentes, que nada tem a ver diretamente com a política imperialista que seus dirigentes doutrinam perante o mundo. Os Estados Unidos estão agora entrando em uma nova guerra, contra o terrorismo, contra o fanatismo.
Aí me vem a pergunta (voltando ao meu pequeno dilema): O que fazer? Ir para Israel? Europa? EUA? Será que realmente vale a pena viajar? Difícil dizer, só tenho uma certeza, o mundo se encontra em estado de sítio, e não há mais um lugar seguro, longe das ameaças terroristas, xiitas. Só espero que as atitudes tomadas pelos EUA não incitem uma guerra, mas que tragam novamente ao campo diplomático a pacificação, como aquela que foi iniciada no fim da guerra fria, no início dos anos 90
e finalizada na metade desta mesma década.
Infelizmente, a indústria bélica necessita conflitos, guerras para se manter. Infelizmente, o ser humano ainda não foi capaz de deixar a cobiça de lado. Infelizmente, a guerra ainda move interesses econômicos muito grandes, e o mundo todavia é regido por aqueles que detêm o poder econômico (como Marx dizia). Após a Guerra Fria, o mundo necessitava/necessita de novos conflitos/guerras como motivo para manter as forças coercivas funcionando e a indústria bélica trabalhando. Até então, os países tinham a desculpa da Guerra Fria, com seu fim, acabou a mamata, e os dirigentes precisam de novos motivos para justificar seus investimentos nesse setor.
Resta para mim (para todos nós) esperar e ver o que acontece, afinal de contas, somos todos meros espectadores de um jogo de vídeo game que nossos dirigentes jogam, espectadores, na expectativa de que tudo acabe bem e que finalmente a paz seja obtida, da melhor forma possível, ou seja, sem derramamento de sangue, sem perdas de vidas inocentes. Nada justifica a violência. Nada justifica o fanatismo. Nada. Esqueçamos nossas diferenças de cor, raça, religião. Sejamos seres humanos uma vez na vida, unidos por um ideal, munidos de idéias, idéias de pacificação.
Nota:
Quando cheguei em casa hoje, voltando da faculdade, por volta das onze horas da manhã, liguei a TV na expectativa de assistir ao tradicional Pica Pau, quando me deparei com uma cena televisiva digna do episódio; A guerra dos mundos, de Orson Welles*. Não podia acreditar naquela cena, os prédios do WTC desabando, pensava que aquilo era ficção, alguma obra
hollywoodiana. Nada que estava acontecendo poderia ser realidade. Infelizmente, desta vez, era real...
*A Guerra dos mundos foi uma novela radialística de Orson Welles que foi ao ar no início do século XX. Nela, alienígenas vindos de marte invadem o planeta terra, o radialista então anunciava: Os marcianos estão chegando... estão destruindo a terra... Pessoas que ouviam a rádio confundiram ficção de realidade e acharam que o planeta terra estava realmente sendo invadido. O caos tomou conta dos EUA.
terça-feira, setembro 11
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