Segunda-feira, Março 9

divulgare ganhou domínio próprio

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Boa leitura! Buena lectura! Enjoy your reading!

Tenha um bom dia,
Un buen dia,
Have a nice day,

Gabriel

Segunda-feira, Agosto 22

.: Shemá Israel


Guzovsky


A alvorada já brilha ao oriente da cidade velha de Jerusalém. É um daqueles dias frios, algumas pessoas pelas ruas, turistas despenteados parados, fumando com suas malas em prontidão a espera do monit sherut que os leva para o aeroporto e como não, o monit sherut dirigido por um marroquino que leva muito a sério seu trabalho e que neste momento voa pelo centro em busca do Sr. Bobby Goldenberg, que parece ter cometido terrível equivoco por haver deixado o telefone de sua ieshiva como telefone de contato. O pior de tudo é que ninguém atendia no número informado. O motorista o encontra na hora marcada e no ponto marcado. Pobre Sr. Bobby. Ele simplesmente não tinha um telefone próprio, vive em comunidade, na ieshiva. Mal sabe disso o motorista, não lhe interessa.
- As regras são feitas para serem bem cumpridas. Por que você me dá um telefone aonde não pode ser encontrado? - recebe o motorista e o olha com um olhar mortífero, como se aquele incidente fosse símbolo de falta de respeito e colocasse em jogo o sucesso de sua operação de coleta, transporte e entrega de material humano para as embarcações aéreas civis. No entanto ele foi doce, permitiu que o atrasado se acomode e feche a boca.

Naquele mesmo momento, toca o sino na escola, ou algo que se parecia com uma escola pelo menos, e se escutam os gritos e a movimentação, os ônibus verdes já são mais presentes e trazem as pessoas para seus lugares. A cidade começa a acordar de verdade, o sol traz luz, mas as pessoas trazem as cores. Acordo. Escuto um microfone defeituoso que chia terrível pois parece ter sido colocado ao lado de um celular, o som para, fico reconfortado depois de um desespero instantâneo. As caixas de som voltam a funcionar, o microfone agora fala:
- Alláhu Akbar. Alláhu Akbar...
Repete, infinitamente. É hora da oração, hora de se levantar. Tomo meu tempo, faz frio. Agarro meus óculos e dou-lhes uma bela baforada para limpar suas lentes. Amareladas, assim eram as lentes. Depois de tantos anos usando-as, já não estranho. São apenas óculos.
- Alláhu Akbar. Alláhu Akbar...
Segue, forte, crescente. Me levanto da cama e me limpo propriamente. A limpeza é sempre muito importante. Visto-me parcialmente, deixo de lado o Hijab. Me preparo e começo as orações da manhã.
- Máleki yaom´edinn...
O som não para. Rezo, rezo forte, com amor. Uma hora aproximadamente, longo. Nada como uma boa manhã de meditação para começar bem o dia. Tenho fome e preparo um sanduíche. Tomo um café turco bem doce. Um belo café da manhã. Não tenho pressa hoje, diferente dos outros dias. Tomo meu tempo, sigo refletindo a respeito da minha missão neste mundo e encontro sempre a mesma resposta, sempre a mesma coisa, a reflexão não adianta muito por que me lembro que já me havia decidido há algum tempo e que seria hoje. Louvo a D´us e me levanto. Agarro o hijab que antes havia deixado de lado e me visto. Agarro a mochila que me haviam deixado há dois dias e abro novamente. Há peças de metal e uma bolsa grande de nylon com forro, macia e fofinha. Agarro as peças e monto como diz a instrução, são alguns encaixes apenas, coisa fácil. Coloco tudo isso na bolsa de nylon e levanto o hijab na altura dos peitos, amarro-a minha barriga e deixo a bata cair por cima. Como pesa essa porcaria. Já a havia usado com as peças desmontadas, quando cheguei ao alojamento, vim com a mesma roupa.O alojamento fica a algumas quadras do Monte do Templo e do Santo Sepulcro. Um péssimo lugar com uma ótima localização. Saio sem pressa, incógnito, pago ao gerente que gentilmente me abre a porta e me cumprimenta pelo bebe. Não abro a boca, mantenho a distância adequada. Como já disse, faz frio em Jerusalém nessa época do ano. Não sou de Jerusalém, venho da Faixa de Gaza, lá é muito mais quente. Vim em ônibus de linha israelense, protegido, não tive nenhum problema na fronteira, não trazia nada suspeito, recebi tudo no ponto marcado, dentro de um depósito no centro da cidade de Jerusalém, perto de Nachlaot. Caminho pelas ruas sem nenhuma dificuldade. Por todo o caminho compenetrado, a atenção não se desvia nem mesmo para todas aquelas coisas penduradas para enfeitiçar turistas e pobres consumistas. Não sinto o peso, já disse, estou compenetrado. Penso nas guerras, penso na injustiça, penso nos mortos, penso nas vidas que perdemos por causa desses malditos. Penso em tanta coisa... São nossos inimigos mortais e devem sofrer a conseqüência de seus atos de violência contra nossas famílias. Não há caminho para a paz com esse povo. Penso em D´us, louvo baixo, bem baixo. Penso e ganho forças para seguir meu caminho, vejo sentido na minha missão.

Passo o posto de checagem policial israelense, sem problemas, não checam a mulheres muçulmanas neste posto. Entro e sinto o remorso agarrando meu pescoço e tratando de sufocar minhas intenções. Alguma razão veio a mim quando vi aquelas crianças. Me lembro do futuro. Chego ao ponto combinado, no centro. Acho que não consigo completar a missão. Agarro o controle no bolso. Me arrependo profundamente. Tiro o pano que cobria minha cara, respiro fundo e vejo o monte de lápides, o palco da redenção. Penso novamente, olho para cima e estou debaixo da grande luz. Eles assassinaram meu futuro. Raiva. Tenho raiva e grito mais forte que qualquer microfone:
- Shemá Israel.
Tomo fôlego e aperto o botão laranja.

E Israel escutou. Mais forte que qualquer microfone.
Como na profecia, a cúpula dourada se ergue pelos ares. Mas não há mashiach, não há mashiach...

Sexta-feira, Outubro 22

.: Lolita e a sexualidade no cinema

“ De repente, tive a certeza de que poderia beijar sua garganta ou a comissura de seus lábios com total impunidade, de que ela deixaria que fizesse e até fecharia os olhos, como ensina Hollywood... Sou obrigado a pensar que uma criança moderna, ávida leitora de revistas de cinema, perita em close-ups filmados em câmera lentíssima, talvez não achasse muito estranho que um amigo adulto, bonitão e intensamente viril...”

Lolita, Vladimir Nabokov
(pág 50. – Edição Folha / 2003)



Abrindo caminhos para a revolução


A força do cinema como poderoso meio de comunicação de massas teve papel fundamental para o desencadeamento da revolução sexual no mundo pós-guerra. Antes mesmo da guerra, as mulheres já compunham um papel importante no cinema. As produtoras usavam o apelo sexual para chamar a atenção do público, sem nenhuma intenção político-cultural aparente (pura heurística). O poder sim, via essa sexualidade como ameaça ao patriarcalismo (além de ética, moral e valores vigentes) e por isso lutou com todas as suas armas legais para impedir o seu crescimento.
Em vão. As mulheres do cinema passaram a ter uma maior individualidade, passaram a ter voz própria no cinema, inspirando muitas mulheres que agora viam uma possibilidade de igualdade de direitos, antes oculta. Com a guerra e o afastamento dos homens de seus cargos para servirem no exército, a mulher se viu forçada a cumprir novos papéis nessa sociedade. Essa situação propícia permitiu às mulheres trazerem a tona seus desejos de individualidade que habitavam suas mentes à algum tempo e que posteriormente desencadearam na revolução sexual (nos anos 60).
O papel do cinema, sua influência no relaxamento moral, foi indiscutivelmente fundamental na abertura de caminhos dentro do imaginário popular para concretizar uma ação política anos mais tarde, como foi a revolução sexual.

Quarta-feira, Outubro 20

.: Tachanat Hasbara Otomatit

* Estação Auto explicativa

Guzovsky

A normatização da vida privada, conceito apresentado por Frank Furedi em seu livro: “Therapy Culture”, traz uma visão crítica acerca da terapia no neocapitalismo e sua conseqüência sobre os seres humanos. Diz que a terapia é necessária em alguns casos, porém discute o quanto o discurso terapêutico se transformou em produto da industria cultural e, portanto, em produto de alienação.

A linguagem terapêutica esta cada vez mais presente no nosso cotidiano e acabou se tornando um sistema de significados como método de construção de identidades. Normatização é um processo político / legal de aplicação de regras. O que a psicologia faz é trazer esse aspecto (normativo) para a vida privada, causando uma baixa autonomia e transformando os sentimentos das pessoas em propriedade do sistema.

Esse sistema de significados (simplista e voltado para a felicidade) que é a terapia faz muito sucesso entre nós. O ser humano moderno tem uma tendência simplista de recusar uma visão complexa de mundo. A partir disso, Finkelkraut (nouveau philosophe) desenvolve uma teoria acerca da invasão do ‘modelo terapêutico’. O ser humano é infeliz e esta em constante busca por um alívio e quanto mais ele busca maneiras de aliviar essa infelicidade (através de livros, auto-ajuda, mística, massagem, homeopatia, terapeutas, etc...) mais inseguro ele fica. Finkelkraut discute também a literatura, que se tornou um instrumento terapêutico para encontrar uma visão simplista. A literatura já não promove visões complexas de mundo, ela simplesmente apresenta / descreve um problema e dá uma fórmula (para a felicidade). Só que não há fórmula nenhuma.

Amos Oz, escritor israelense, traz um aspecto interessante do neocapitalismo que é o fato de que o sistema esta sempre fazendo com que você se esqueça o que você realmente é (areia / matéria) para que esteja sempre consumindo com a falsa ilusão de que irá alcançar a felicidade dessa maneira. O deserto, seria o outro extremo, aonde não há espaço para distrações da real condição humana. Nesse neo capitalismo, a juventude virou produto, virou ideologia. Mas por que o jovem? O jovem tem maior produtividade, maior força, menos formação (portanto é mais submisso), mais fácil de ser manipulado e principalmente: aceita ser subserviente ao capital. A partir disso vêm a ideologia da solução – que busca o tempo inteiro soluções que são criadas pelo capital para serem vendidas aos desesperados – e como ser jovem é produto de solução, vemos um mercado intenso que cresce cada dia mias voltado para o rejuvenescimento. (círculo do desejo – preenchimento dos vazios)

Vivemos em um mundo individualista aonde o pensamento foi derrotado. Bilhões de seres humanos espalhados em nosso planeta em busca de uma só coisa: a felicidade. Felicidade essa que dá sentido a vida, mas que ao mesmo tempo tira do ser humano seu maior diferencial: o poder do pensamento; e o joga em uma inércia de preenchimento de vazios sem fim.

Terça-feira, Outubro 19

.: Coca-Cola

sempre (tempo constante - não importa aonde)
coca-cola (líquido negro gasoso - bom para desentupir pias)

Guzovsky

Segunda-feira, Outubro 18

.: Contrastes


Guzovsky

Domingo, Outubro 17

.: São Paulo

São Paulo - a cidade das marginais

Na cidade cercada por marginais não podiam deixar de reparar nas buzinas tocando ao seu redor, procurando invadir a cidade como ioshua invadiu jericó.


Dana (negrita)

.: FLOGS fotologs

Hoje em dia ficou fácil achar as pessoas pela internet. Orkut, blog, fotolog, sites pessoais, comunicadores... o que não faltam são caminhos para encontrar pela web, sites inesperados que surpreendem! agora mesmo, este blog pode estar sendo lido por alguém que me conhece ou conheceu e que certamente pode estar sentindo uma certa surpresa ou mesmo uma nova impressão. Foi seguindo essa filosofia que passei um tempo à procura de sites fenomenais, deleites visuais que só são possíveis graças a maravilha dessa rede de computadores. Essa rede que ao mesmo tempo que estreita e facilita as relações de comunicação, cada vez mais nos afasta do mundo real... Deixo de papo e vou direto ao assunto:
Coloco abaixo alguns dos frutos da minha pesquisa de campo, fotologs que me pareceram interessantes...:

http://ubbibr.fotolog.net/danipe

http://fotolog.terra.com.br/lajblog

http://betosp.flogbrasil.terra.com.br

http://www.monyka.flogbrasil.terra.com.br/


Sexta-feira, Outubro 8

.: Momento Imagético

não foi possível deixar de reparar na poesia dessa foto...

Guzovsky

.: Momento Poético

No horizonte inconsciente
miro Oriente
e vejo essa gente
ditando as vertentes
daquela gente
ali à sua frente
divulgando as vertentes
que vêm dessa gente
ali a sua frente
dalí, do oriente...

Leia cantando, pensando no ritmo, na impulsão das palavras... (ahahaha)
E recomento para visualização, o quadro de Van Gogh abaixo:

Guzovsky